O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciou a reabertura de lojas de rua a partir de quarta-feira (10/6), e dos shoppings da capital a partir de quinta-feira (11/6).

A medida ocorre em um momento em que a cidade passa dos 80 mil infectados pelo Covid-19 e quase 5 mil mortos, sendo que a cidade analisa outras 4.588 mortes suspeitas.

Segundo o professor de medicina Domingos Alves, do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medina da USP de Ribeirão Preto, “estamos mandando a população para o abatedouro”.

De acordo com as autoridades estadual e municipal, as taxas de ocupação dos leitos de UTI estão caindo. O poder público sustenta que o Estado está “se aproximando de um platô” no que se refere aos novos casos e número de óbitos.

“Seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde e aquelas adotadas em todo o mundo, de jeito nenhum, lugares que tenham parâmetros epidemiológicos crescendo poderiam fazer qualquer tipo de relaxamento”, comentou Alves.

O pesquisador alerta ainda que, com a medida, as taxas de contaminação e de óbitos irão explodir. “Vai abrir por que e para quê? Para receber mais gente em hospital e morrer mais gente?”, indagou Alves.

Em nota emitida pela Prefeitura de São Paulo, todas as entidades representativas dos setores autorizados a reabrir se comprometeram com medidas de distanciamento social, higiene, sanitização de ambientes, orientação dos clientes e dos colaboradores, além do compromisso para testagem dos colaboradores e medição de temperatura dos clientes.

Todavia, essa mudança de discurso ocorre por conta da pressão de alguns setores. “Se a gente não tivesse abertura nesta semana, estávamos preparados para buscar na área jurídica o que fazer”, ameaçou Nabil Sahyoun, da Alshop. (Com informações do El País – 09.06.20)