IA no hospital é custo ou produtividade? Entenda o impacto da interoperabilidade

Instituição que recebe cerca de 3 mil exames externos por mês pode consumir aproximadamente 300 horas de trabalho apenas com a digitação dos dados; integração de sistemas se torna decisiva para transformar investimentos em IA em produtividade

A Inteligência Artificial avança nos hospitais, mas uma questão começa a ganhar espaço à medida que crescem os investimentos em novas tecnologias: quanto desse recurso efetivamente se transforma em produtividade e eficiência financeira? Para especialistas do setor, a resposta depende menos da quantidade de ferramentas incorporadas e cada vez mais da estrutura sobre a qual elas operam.

Processos manuais, informações duplicadas, sistemas que não trocam dados e profissionais que precisam navegar entre diferentes plataformas ainda fazem parte da rotina de muitas instituições. Em uma única atividade, como a digitação de exames realizados fora do hospital, uma instituição que recebe cerca de 3 mil documentos por mês pode consumir aproximadamente 300 horas de trabalho apenas com a inserção manual dessas informações. Quando uma nova camada de tecnologia é adicionada a esse ambiente sem integração, parte do ganho esperado pode ser absorvida pelo próprio funcionamento da operação.

“Não adianta investir em IA se os dados estão desorganizados, os sistemas não conversam e os processos continuam fragmentados. Nesse cenário, uma nova tecnologia pode apenas adicionar custo e complexidade. IA sem fundação é custo. Com interoperabilidade, é produtividade”, afirma Jeancarlo Luz, Diretor Executivo da Bionexo Tasy.

Na prática, essa ineficiência aparece em atividades aparentemente simples. Informações são digitadas mais de uma vez, dados disponíveis em um sistema precisam ser transportados manualmente para outro e profissionais dedicam parte do expediente a tarefas administrativas que poderiam ser automatizadas.

Um exemplo está no processamento de exames realizados fora da instituição. Quando um paciente apresenta laudos externos, os documentos podem exigir leitura e inclusão manual dos resultados no prontuário. A digitação dessas informações pode consumir de quatro a sete minutos por laudo. Com inteligência artificial integrada ao sistema, PDFs e imagens podem ser interpretados e transformados em informações estruturadas, mantendo a validação pelo profissional responsável e liberando esse tempo para outras atividades.

É nesse ponto que interoperabilidade deixa de ser apenas uma discussão de tecnologia e passa a entrar na conta do retorno do investimento. Quando sistemas conseguem trocar e utilizar informações, uma mesma informação pode percorrer diferentes etapas da operação sem precisar ser novamente inserida, reduzindo retrabalho e liberando profissionais para atividades de maior valor.

“Não se trata de substituir o profissional, mas de evitar que pessoas qualificadas continuem dedicando tempo a tarefas que a tecnologia já consegue assumir. Para a instituição, isso significa buscar mais produtividade com a estrutura existente e capturar melhor o investimento realizado. Para a equipe assistencial, significa recuperar tempo para o cuidado”, afirma Jeancarlo.

A Bionexo Tasy trabalha essa integração por meio do OpenAPI do Tasy, ambiente que permite conectar o sistema de gestão hospitalar a diferentes tecnologias utilizadas pelas instituições sem necessariamente substituir soluções que já fazem parte da operação.

Mais de 750 desenvolvedores utilizam atualmente o ambiente, que reúne mais de 320 possibilidades de integração públicas, distribuídas em mais de 22 módulos. As conexões movimentam mais de 5 milhões de trocas de informações por mês e viabilizam mais de 700 mil consultas agendadas mensalmente.

A mesma estrutura permite incorporar aplicações de inteligência artificial ao fluxo de trabalho. No Tasy, essas tecnologias já podem apoiar atividades como registro de consultas, prescrição, produção de registros clínicos por texto ou voz, interpretação de documentos e estruturação de informações, mantendo a validação e as decisões relacionadas ao paciente sob responsabilidade dos profissionais.

Para Jeancarlo, a próxima etapa da transformação digital dos hospitais passa justamente por corrigir uma consequência da própria digitalização: o aumento do tempo dedicado pelos profissionais à alimentação e operação dos sistemas.

“Quando conectamos sistemas, melhoramos a eficiência operacional. Quando conectamos dados, melhoramos as decisões clínicas e de gestão. Agora, o desafio é fazer a tecnologia trabalhar a favor de quem está na ponta e transformar investimento em resultado para a instituição”, afirma.

Com a expansão da inteligência artificial, a discussão tende, portanto, a avançar da quantidade de tecnologias adotadas para quanto valor as instituições conseguem extrair delas. Integração, qualidade dos dados e revisão de processos passam a fazer parte da mesma equação que determina o retorno dos investimentos em inovação. (Com informações da Bionexo Tasy – 02.11.2026)

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