Um dos critérios usados por reumatologistas para identificar doenças inflamatórias é a análise clínica da Velocidade de Hemossedimentação (VHS). A Sociedade Brasileira de Reumatologia cita o exame como um dos preconizados no diagnóstico de polimialgia reumática, artrite reumatoide, fibromialgia e febre reumática.  

Assim como a medição da dosagem da proteína C reativa (PCR), o VHS é parte dos protocolos de encaminhamento do paciente da Atenção Básica para a Atenção Especializada em Ortopedia e Reumatologia, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).  

O procedimento mede a velocidade da separação entre os glóbulos vermelhos e o plasma – parte líquida do sangue – pela ação da gravidade em um período de tempo de uma hora. Alterações no índice de referência indicam quadros inflamatórios ou infecciosos e uma série de doenças. O valor também pode aumentar com a idade e durante a gravidez. 

De acordo com o Comitê Internacional de Padronização em Hematologia (ICSH), abaixo dos 50 anos, o valor de referência do VHS nos homens é de até 15 mm/h e nas mulheres, 20 mm/h. Acima dos 50 anos, o resultado sobe respectivamente para 20 mm/h em homens e 30 mm/h em mulheres. Para pessoas idosas acima de 85 anos, a referência é de 30 mm/h em homens e 42 mm/h em mulheres. Em crianças, o ideal é que o resultado varie entre 3 mm/h e 13 mm/h. 

Quando mais intensa a inflamação, maior a elevação. Doenças reumatológicas e câncer podem aumentar o VHS no organismo do paciente para acima de 100 mm/h. 

Qual a finalidade do exame de VHS 

Em artigo para a Revista HU do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), os autores Antônio Scotton, Marcelo Alvarenga, Rafael Fraga, Juliana Pernambuco, Ana Carolina Scotton e Márcio Goldner explicam que o VHS é um método indireto, simples e barato para medir proteínas de fase aguda, em especial, o fibrinogênio. 

O texto dos profissionais do laboratório de Reumatologia do HU-UFJF aponta que anemia, gravidez, temperatura alta e paraproteinanemia aumentam o índice de VHS. Se o valor estiver alto, as causas podem ser infecções virais ou bacterianas, como gripe, sinusite, amigdalite, pneumonia; infecção urinária ou diarreia; tuberculose e câncer. 

A redução do VHS indica alterações na forma das hemácias, policitemia – aumento das células do sangue -, hipoalbuminemia, insuficiência cardíaca congestiva, hiperviscosidade e hipofibrinogemia. O valor também aparece reduzido quando há retardo na realização do exame. 

No artigo, os autores ressaltam que, além de diagnóstico, o procedimento é usado para monitorar a evolução e a resposta ao tratamento de artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, espondiloartropatias soronegativas, arterite temporal e polimialgia reumática. O exame também pode ser usado por outras especialidades médicas, por contribuir para diagnosticar pacientes com traumas, doenças autoimunes, condições metabólicas inflamatórias, alergias, insuficiência renal e cardíaca.  

O VHS com resultado alto indica a existência de inflamação, mas não é capaz de determinar a causa, o local ou a gravidade. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, o exame deve ser interpretado no contexto clínico do paciente. A partir do resultado e do histórico, o médico tende a solicitar exames complementares que ajudam a identificar e fechar o diagnóstico.  

Como é feito o exame de VHS  

Em geral, não é necessário jejum. No entanto, o paciente deve informar se faz uso de medicamentos podem interferir no resultado. Além disso, devem ser considerados quadros que alterem a diluição ou a composição do sangue como gravidez, diabetes, obesidade, insuficiência cardíaca, insuficiência renal, alcoolismo, alterações da tireoide ou anemias.  

O exame é feito por coleta de sangue, a partir de uma veia do braço. A amostra é encaminhada ao laboratório para a análise que ocorre por meio de duas medições em milímetros por hora. Os valores do exame VHS na primeira hora são os mais importantes e mais utilizados. (Com informações da Experta Media – 31.03.21)