Estudo aponta os testes genéticos como opções de tratamento para 45% dos pacientes com câncer de próstata

Com 77.920 novos casos estimados no Brasil em 2026, câncer de próstata pode ter o tratamento orientado por testes genéticos, explica especialista da QIAGEN

Um estudo americano publicado em 2026 na revista Clinical Genitourinary Cancer identificou alterações genéticas ligadas a opções de tratamento em 67 de 150 pacientes com câncer de próstata avançado, cerca de 45% dos participantes. A pesquisa avaliou homens cuja doença já havia se espalhado pelo organismo e continuava avançando apesar do tratamento para reduzir a produção ou a ação da testosterona, condição conhecida como câncer de próstata metastático resistente à castração.

Para Arthur Silva, gerente de produtos para a América Latina na QIAGEN, o achado chama atenção para o papel da investigação genética no planejamento do tratamento. “Pacientes com o mesmo diagnóstico podem apresentar alterações genéticas diferentes. Investigar essas características ajuda a equipe médica a avaliar se existe uma opção de tratamento direcionada ao perfil daquele câncer, considerando também os tratamentos anteriores e as condições clínicas do paciente”, explica.

A pesquisa combinou três tipos de análise: testes de alterações hereditárias; análise do tecido tumoral, quando disponível; e investigação de fragmentos de DNA liberados pelo tumor no sangue, exame conhecido como biópsia líquida.

Apenas 72 participantes tiveram resultados obtidos a partir do tecido, o que evidencia a dificuldade de conseguir material adequado para o sequenciamento. A maior parte das alterações foi encontrada na análise do sangue. Nos 40 pacientes que repetiram esse exame após a progressão da doença, cerca de 15 tiveram novas alterações identificadas.

Os medicamentos associados às alterações encontradas já são aprovados nos Estados Unidos, o que pode apoiar a escolha de terapias direcionadas. No Brasil, a indicação depende da avaliação médica, das indicações aprovadas e da disponibilidade dos medicamentos.

Como o sequenciamento genético pode ajudar

O sequenciamento de nova geração, conhecido como NGS, permite analisar vários genes ao mesmo tempo. A tecnologia pode ser utilizada tanto na investigação de alterações hereditárias associadas à predisposição ao câncer quanto na identificação de alterações do tumor que ajudem a orientar a escolha do tratamento. A QIAGEN desenvolve tecnologias usadas por laboratórios para extrair e analisar DNA de amostras de tecido e de sangue, incluindo soluções para sequenciamento genético e biópsia líquida.

A análise hereditária busca alterações presentes desde o nascimento. Essas alterações podem ajudar a orientar o tratamento e indicar a necessidade de aconselhamento genético e avaliação de familiares. Já a análise tumoral investiga características do câncer, incluindo alterações adquiridas ao longo da doença.

“São avaliações que respondem a perguntas diferentes e podem se complementar. A investigação hereditária pode revelar informações importantes para o cuidado da família e para o tratamento do paciente. A análise do tumor amplia a busca por alterações que possam orientar decisões terapêuticas, mesmo quando não existe histórico familiar de câncer”, afirma Silva.

Uma diretriz da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, a ASCO, publicada em 2025, recomenda análises genéticas hereditárias e do tumor para pacientes com câncer de próstata metastático. A orientação também prevê considerar uma nova investigação em situações específicas, como resultados anteriores inconclusivos ou mudanças importantes no quadro clínico. Foi nesse tipo de situação que o estudo americano encontrou novas alterações ao repetir o exame de sangue.

“Encontrar uma alteração genética não gera uma indicação automática de medicamento. É necessário verificar se há evidência de benefício naquele contexto e interpretar o resultado junto com as demais informações clínicas. Para o paciente com doença metastática, conversar com a equipe sobre esses exames pode ajudar a esclarecer quais informações ainda são necessárias para planejar o cuidado”, conclui Silva.

O que o exame de PSA revela e quando é preciso investigar?

O exame de PSA (antígeno prostático específico) é feito por meio de uma amostra de sangue e mede os níveis de uma proteína produzida pela próstata. Alterações nesses níveis podem indicar a necessidade de investigação, mas não significam necessariamente a presença de câncer. O PSA também pode aumentar em situações benignas, como o crescimento da próstata e processos inflamatórios.

“Muitos pacientes fazem o exame e já acham que estão com problema. O crescimento da próstata também pode ser outro indicativo. Por isso, a interpretação dos resultados deve sempre ser feita por um médico, considerando o conjunto de informações clínicas de cada paciente”, explica o urologista Dr. Ruimário Coelho.

O exame de toque retal, por sua vez, permite ao médico avaliar características da glândula que não são identificadas apenas pela dosagem do PSA. Dependendo dos resultados e da avaliação clínica, podem ser solicitados exames complementares, como a ressonância magnética, e, quando houver indicação, a biópsia, que permite confirmar o diagnóstico.

Histórico familiar e idade merecem atenção

A idade é um dos principais fatores de risco para o câncer de próstata. O risco também é maior entre homens com parentes de primeiro grau que tiveram a doença, especialmente quando o diagnóstico ocorreu em idade mais jovem, e entre homens negros.

“Tudo isso deve ser considerado. Essas diferenças mostram a importância de conhecer o histórico familiar do paciente, assim como o momento adequado para avaliar a necessidade de exames. Não existe uma recomendação única, cada caso é um caso”, diz o especialista.

Além disso, para aqueles que não frequentam o médico com tanta regularidade, outros fatores devem ser observados. “Muitas vezes não há sintomas, por isso, é importante observar fatores como dificuldade para urinar, redução da força do jato urinário, aumento da frequência urinária, inclusive durante a noite, e presença de sangue na urina. Esses sinais também podem estar relacionados a condições benignas, mas precisam ser avaliados”, alerta.

A orientação é não esperar que os sintomas apareçam para conversar sobre os fatores de risco e as possibilidades de investigação. “O Novembro Azul é sempre uma oportunidade para que os homens deixem de adiar o cuidado com a saúde e busquem informações para tomar decisões conscientes”, finaliza o urologista. (Com informações da QIAGEN/Assessoria de Imprensa – 06.11.2026)

 

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