Tempo entre exame e laudo pode impactar alta, tratamento e fluxo hospitalar

A busca por mais eficiência hospitalar ganhou força em 2026. Em maio, o Tribunal de Contas da União aprovou o acompanhamento da eficiência de 2.743 hospitais públicos do SUS, com indicadores voltados à identificação de desperdícios e fragilidades de gestão. Nesse cenário, um ponto passa a merecer mais atenção de clínicas e hospitais: o tempo entre a realização de um exame e a disponibilização do laudo que orientará a conduta médica. Mais do que uma métrica de produtividade, esse intervalo pode afetar fluxo assistencial, ocupação de leitos e segurança do paciente.

Para Rafael Figueroa, CEO da Portal Telemedicina, a velocidade precisa ser analisada dentro da jornada clínica. “O exame não termina quando o equipamento conclui a captura. Ele começa a gerar valor quando a informação chega ao profissional responsável pela decisão. Dependendo do caso, alguns minutos podem definir uma priorização, um encaminhamento, uma alta ou o início de um tratamento. Por isso, tempo de laudo também precisa ser acompanhado como indicador de qualidade e segurança”, afirma.

A relação entre diagnóstico e eficiência operacional já aparece em estudos brasileiros. Pesquisa publicada na Revista de Saúde Pública, com internações de dois hospitais de ensino, identificou que a espera pela realização de exames complementares respondeu por 30,6% e 34,7% dos motivos de atraso na alta hospitalar. A liberação dos laudos também apareceu entre as causas, representando 22,4% dos atrasos em uma das instituições e 11,9% na outra. O levantamento reforça que a demora diagnóstica pode prolongar a permanência do paciente e reduzir a disponibilidade de leitos.

O tema também está diretamente relacionado à segurança. A Organização Mundial da Saúde define erro diagnóstico como a falha em estabelecer uma explicação correta e tempestiva para o problema de saúde de uma pessoa ou em comunicá-la adequadamente. Na prática, o atraso pode surgir mesmo quando o exame foi realizado no horário previsto, por causa de envio manual de informações, filas sem priorização, sistemas que não se comunicam, indisponibilidade de especialistas ou necessidade de retrabalho.

É nesse intervalo que integração e automação podem produzir impacto. Equipamentos conectados diretamente aos sistemas de diagnóstico, filas organizadas conforme prioridade clínica, telelaudos e ferramentas de inteligência artificial aplicadas à triagem ajudam a reduzir etapas manuais e a dar visibilidade ao status de cada exame. A Portal Telemedicina informa que, em seus fluxos, laudos urgentes podem ser entregues em até cinco minutos e os demais em até 24 horas, conforme a modalidade e a necessidade clínica.

Agilidade, entretanto, não pode ser perseguida de forma isolada. Um prazo menor perde valor quando vem acompanhado de repetição de exames, falhas de coleta, baixa qualidade da imagem ou comunicação inadequada do resultado. Por isso, clínicas e hospitais podem acompanhar em conjunto indicadores como prazo médio de laudo, volume de pendências, taxa de retrabalho, tempo de resposta por tipo de atendimento e qualidade técnica, sempre com validação médica, protocolos claros e segurança da informação.

Na avaliação de Figueroa, o avanço está em tratar o laudo como parte da operação clínica, e não como uma etapa administrativa isolada. “O objetivo não é simplesmente produzir laudos mais rápidos. É garantir que a informação certa chegue no momento em que ela pode mudar uma decisão. Quando a instituição acompanha esse tempo e identifica onde a jornada perde eficiência, consegue agir antes que o problema apareça na fila, no leito ocupado ou no atraso de um tratamento”, conclui. (Com informações do Portal Telemedicina – 30.10.2026)

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