Os resultados de estudos realizados em diferentes regiões do Brasil foram divulgados pela primeira vez
O especialista em Citopatologia e Oncologia Molecular Marco Zonta apresentou, pela primeira vez no Brasil, durante o Cervicolp 2026 – XXXV Encontro de Atualização em PTGI e Colposcopia, os resultados de estudo brasileiro que ganhou destaque internacional. As pesquisas apontam que a genotipagem molecular do HPV é significativamente mais eficaz na identificação do risco de câncer do colo do útero e identificação de lesões graves do que o exame citológico convencional, conhecido como Papanicolaou.
Os resultados dos trabalhos haviam sido apresentados, separadamente em Viena, na Áustria, no Porto em Portugal e, em Bangkok, na Tailândia, durante os principais congressos científicos do mundo dedicados ao HPV e aos cânceres relacionados à infecção viral. Agora, os dados foram compilados e compartilhados com especialistas brasileiros durante o Cervicolp 2026, evento de referência nacional nas áreas de patologia do trato genital inferior e colposcopia, realizado em São Paulo.
Os estudos integram ações realizadas em três diferentes regiões do país, como iniciativa itinerante e acessível desenvolvida para ampliar o atendimento populacional no rastreamento e diagnóstico precoce de mulheres com dificuldade de acesso aos programas regulares de prevenção do câncer do colo do útero. A pesquisa analisou 4.173 amostras cervicais coletadas em mulheres entre 20 e 69 anos nas regiões Sul, Sudeste e nas cidades satélites do Distrito Federal. Todas as participantes foram submetidas simultaneamente ao exame citológico tradicional e à análise molecular para detecção do HPV de alto risco.
Os resultados demonstraram que 14,34% das mulheres apresentaram infecção por HPV de alto risco identificada pelo teste molecular, enquanto apenas 5,25% tiveram alterações detectadas pelo exame citológico convencional, com uma prevalência de 68,28% em mulheres na faixa etária acima de 35 anos de idade. Segundo Marco Zonta, os dados reforçam o potencial dos testes moleculares para antecipar a identificação de pacientes com maior probabilidade de desenvolver lesões precursoras e câncer cervical, principalmente em mulheres que não foram contempladas com a vacina contra o HPV. “O modelo permitiu identificar um número expressivo de infecções sexualmente transmissíveis além da infecção viral, em uma população que normalmente permanece fora dos programas regulares de rastreamento”, afirmou o pesquisador durante a apresentação.
Os projetos utilizaram estruturas itinerantes instaladas em diferentes regiões com menor cobertura assistencial para atender homens e mulheres com acesso limitado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta busca ampliar o acesso ao diagnóstico, reduzir filas e acelerar o encaminhamento de pacientes com maior risco para acompanhamento clínico especializado. Entre as amostras analisadas, foram identificadas alterações celulares compatíveis com diferentes graus de lesão, incluindo casos considerados precursores do câncer do colo do útero. A infecção por HPV foi detectada em 598 participantes, com maior incidência na faixa etária entre 35 e 60 anos, população que não foi contemplada pelas primeiras estratégias de vacinação no SUS. Os tipos virais mais prevalentes identificados foram HPV-16, HPV 31, HPV 35, 41, HPV 59, HPV-68, HPV-66, HPV-58, HPV-39 e HPV-52.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a eliminação do câncer do colo do útero como problema de saúde pública até 2030 depende da combinação entre vacinação, ampliação do rastreamento estendido e tratamento precoce das lesões precursoras. Para Marco Zonta, iniciativas móveis associadas à utilização de testes moleculares podem ter papel estratégico em países marcados pela desigualdade de acesso aos serviços de saúde, como o Brasil. Os testes moleculares utilizados na pesquisa foram fornecidos pela Seegene Brazil. (Com informações da Seegene Brazil – 02.06.2026)

