As experiências com os testes Point of Care (POC) na América Latina foi matéria de debate durante a 9ª edição do Workshop Internacional organizado pela Aliança Latino-americana para o Desenvolvimento do Diagnóstico in Vitro (Aladdiv), em conjunto com a London School of Hygiene & Tropical Medicine e o IDC – The International Diagnostics Centre, nos dias 2 e 3 de setembro, na sede da Anvisa, em Brasília.

O vice-presidente da Aladdiv, Freddy Tinajeros, que representou a Bolívia, apontou diversos problemas no país como, por exemplo, a cultura de um pré-natal tardio das mulheres bolivianas, além das costumeiras ausências em centros de diagnósticos e clínicas de tratamento. Além disso, Tinajeros destacou a precariedade dos centros de saúde em zonas rurais. “Por esta razão, os testes rápidos surgem como uma alternativa viável, já que não é preciso estrutura laboratorial. Apenas uma gota de sangue e o resultado fica pronto em 15 minutos”, defendeu. O médico evidenciou, como desafio, a melhoria na cobertura na aplicação dos testes rápidos para o diagnóstico e o tratamento das mulheres grávidas. 

Já as experiências com o POC no Peru foram relatadas pelo diretor científico da Aladdiv, Segundo Leon. Um dos erros apontados pelo médico é o fato de o país não ter um mapa de sífilis, o que gera um grande problema de monitoramento. A capital Lima, com 30% da população peruana, conta com 70% dos casos de HIV no Peru, a maioria é de homens gays. Nos anos 90, havia um grande prevalência de HIV em mulheres grávidas. “Atualmente, os testes rápidos têm 97% de cobertura de gestantes nos serviços de saúde pública”, revelou. Leon também divulgou um programa inédito de testes rápidos para HIV e sífilis direcionado aos imigrantes venezuelanos.

Pela primeira vez no Workshop Internacional, a Argentina mandou um representante. Daniel Carrio, do Ministério da Saúde da província de Buenos Aires, que apresentou dados do HIV na Argentina. De acordo com ele, 140 mil pessoas estão infectadas com o vírus, sendo que 90% estão concentradas na área que compreende a Grande Buenos Aires. Segundo Carrio, os objetivos do Ministério da Saúde argentino é diminuir a carga viral, aproximar o diagnóstico da população com a adesão dos testes rápidos, realizar entrevistas pré-testes e o acompanhamento pós-teste, além da capacitação de bioquímicos para a realização dos exames e as campanhas em espaços públicos. “O grande problema que o país enfrenta atualmente é o aumento exponencial de casos de sífilis em grávidas. Até agosto foram 622 casos, o que representa 2,48 a cada 1000 nascidos vivos”, alardeou.

O Brasil foi representado por Roberta Barbosa Francisco, do Ministério da Saúde. A representante brasileira sublinhou as prioridades do Governo Federal para o biênio 2019/2020, entre elas, a redução do número de casos de HIV, sífilis e hepatites virais, a diminuição da Transmissão Vertical e da mortalidade, e o aumento no diagnóstico das populações-chave, o que inclui os testes POC. A tuberculose também é uma das prioridades, haja vista que a doença avança sistematicamente nos pacientes infectados com o HIV.

“Em 2018 adquirimos 14 mil testes rápidos para HIV, 10 mil para sífilis e 9 mil para hepatites. A nossa ideia é ampliar a quantidade. Os testes rápidos já estão presentes em 27 estados e em quase 4 mil municípios, com 19 mil serviços de saúde cadastrados”, declarou Roberta.

Além do aumento dos Centros de Testagens e Aconselhamento (CTA) no acolhimento das populações-chave, Roberta falou também das ações extra-muros que levam os testes rápidos para os locais sem cobertura de serviços de saúde, além de parcerias com Organizações de Sociedade Civil (OSC) para o combate das doenças sexualmente transmissíveis e a redução da iniquidade às populações-chave. (Com informações da Oficina de Mídia – 5.9.19)