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Diagnósticos de câncer de próstata, pênis e testículo têm queda preocupante em 2021 no país em relação ao período anterior à pandemia da Covid-19

O volume de diagnósticos dos cânceres exclusivamente masculinos – próstata, pênis e testículo – diminuiu significativamente no Brasil no ano passado. A queda foi verificada nos primeiros nove meses de 2021 comparados ao mesmo período de 2019 – ou seja, antes e durante a pandemia da Covid-19. Em relação ao câncer de próstata, os diagnósticos caíram 56% (de 31.398 casos, em 2019, para 13.850, em 2021). Em relação ao câncer de pênis, 31% (de 786 para 540), e  câncer de testículo, 38% (de 1.407 para 865). Os dados foram compilados do Painel Oncologia Brasil/Datasus.

É uma situação preocupante na opinião  do cirurgião oncológico Gustavo Guimarães, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) e coordenador geral dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos do grupo BP-A Beneficência Portuguesa de São Paulo. “Tradicionalmente, os homens já cuidam menos da saúde comparado às mulheres e com a pandemia isso se agravou mais ainda”, avalia.

Números da Região Sudeste

Na Região Sudeste, o cenário em relação a esses diagnósticos, de acordo com a mesma base de dados, revela o seguinte:

Diagnóstico de câncer de próstata *

EstadoJan a set 2019Jan a set 2020Jan a set 2021% de queda (2019 x 2021)
Espiríto Santo61242536839,8
Minas Gerais4.6113.5622.13753,6
Rio de Janeiro2.2481.6961.31941,3
São Paulo8.0756.3083.46254,8

*Painel Oncologia Brasil/Datasus – Casos segundo UF da residência

Diagnóstico de câncer de testículo*

EstadoJan a set 2019Jan a set 2020Jan a set 2021% de queda (2019 x 2021)
Espirito Santo930811,1
Minas Gerais1281449922,6
Rio de Janeiro94706135,1
São Paulo37932923438,2

*Painel Oncologia Brasil/Datasus – Casos segundo UF da residência

Diagnóstico de câncer de pênis*

EstadoJan a set 2019Jan a set 2020Jan a set 2021% de queda (2019 x 2021)
Espirito Santo1616850,0
Minas Gerais851027412,9
Rio de Janeiro39311464,1
São Paulo1501318344,6

*Painel Oncologia Brasil/Datasus – Casos segundo UF da residência

Impacto da pandemia

 Segundo Guimarães, no início da pandemia de uma doença pouco conhecida, as pessoas tiveram medo de ir a serviços de saúde para fazer os exames de rotina devido o risco de contaminação da Covid-19. Depois, após melhora dos indicadores de infecção e de morte pelo novo coronavírus e avanço da vacinação, os pacientes,  aqueles com doenças crônicas e pacientes ocasionais, começaram a procurar novamente os serviços de saúde. “O cenário gerou uma sobrecarga e para dar conta da demanda dos pacientes que estão retornando ao tratamento, os serviços de saúde precisaram diminuir a oferta de consultas de primeira vez. Isso teve efeito direto no número de diagnósticos não só em câncer, mas em outras patologias”, avalia Guimarães.

O valor do diagnóstico precoce

 No caso das doenças oncológicas, o impacto é grande e muito grave porque diagnósticos mais tardios de tumores estão relacionados a pior prognóstico, a tratamentos mais agressivos e caros e com pior resultado. “Além dos custos diretos dos tratamentos, temos o custo irreparável de vidas humanas perdidas. Também é preciso lembrar que tratamentos mais complexos e longos significam para pessoas ativas profissionalmente, maior prejuízo em dias de trabalho. Um câncer em fase mais adiantada, mesmo quando o resultado do tratamento é satisfatório, pode levar a maior prejuízo da qualidade de vida do paciente e de sua família em função de sequelas”, afirma.

Os tumores de pênis, por exemplo, quando restritos ao órgão, a cura pode ser atingida em mais de 70% dos casos. Porém, quando compromete linfonodos inguinais, a sobrevida é menor que 50% em cinco anos. Se acomete linfonodos pélvicos, a sobrevida não chega a 20%. “Em geral, metade dos diagnósticos desse tipo de tumor são feitos depois de um ano do início da doença. O atraso maior ainda provocado pelo cenário da pandemia, pode custar ao paciente a necessidade de mutilação cirúrgica (amputação do órgão)”, explica o especialista.

O câncer de testículo tem maior prevalência no mundo entre os homens de 15 a 34 anos, superando a leucemia, que é o câncer pediátrico mais comum. Um fator que dificulta o diagnóstico precoce no Brasil é o fato de ser muito comum o homem associar qualquer alteração no testículo com alguma doença venérea ou trauma recente. “A maioria tem medo de falar sobre o assunto, principalmente com as esposas”, afirma Guimarães. Embora o câncer de testículo tenha baixa mortalidade, o sucesso do tratamento é maior quando a doença é descoberta precocemente.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, apesar dos avanços terapêuticos em relação ao câncer de próstata, cerca de 25% dos pacientes ainda morrem devido à doença. No Brasil, por mais que o câncer de próstata seja, biologicamente, uma doença com perfil indolente (de crescimento lento),  cerca de 20% dos casos são diagnosticados em fase avançada. A desigualdade de acesso aos serviços de saúde é um dos fatores que levou ao aumento da mortalidade por câncer de próstata no país nas últimas três décadas.

Guimarães alerta que é fundamental realizar o exame de sangue que avalia a proteína produzida pelo tecido prostático (PSA) e o exame de toque retal, que propiciam descobrir a doença em fase mais inicial, reduzindo assim a mortalidade. A confirmação diagnóstica se dá por biópsia. “Muito se fala que há excesso de diagnóstico e que muitos tumores, de tão indolentes, poderiam não ser tratados. Em alguns casos, isso até pode ocorrer, mas em um país com desigualdade de acesso aos programas de rastreamento, como é o caso do Brasil, devemos sim incentivar a população a fazer os exames”, destaca  Guimarães.

Não negligencie seu tratamento

Com o avanço da vacinação,  aliado ao conhecimento adquirido sobre as medidas de prevenção em relação à Covid-19, não há razão para negligenciar o tratamento de outras doenças, deixar de ir ao médico para exames de rotina ou investigação de qualquer novo sintoma. “O diagnóstico precoce de doenças oncológicas, como os cânceres de próstata, pênis e testículo, é o principal passo para aumentar as chances de cura”, conclui. (Com informações da SEnSU Consultoria de Comunicação – 17.01.22)

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