A ex-presidente da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), Liliana Perez, e que voltou a atuar pela entidade, em companhia da CEO da YouCare, Daniela Camarinha, estiveram neste dia 14, na FIESP, para o Painel de Discussão: Propostas para a Saúde no Brasil com Assessores Presidenciais.
No evento, os entrevistados foram a deputada Adriana Ventura, Dr. Adriano Massuda, Dr. Felipe Rote Vargas, o ex-ministro da Saúde, Dr. Luiz Henrique Mandetta, e a Dra. Ana Paula Fernandes Távora.
Os assessores de saúde dos principais candidatos à presidência e especialistas do setor apresentaram suas propostas para a saúde no Brasil com vistas na melhoria da gestão, integração dos sistemas público e privado por meio da tecnologia (saúde digital e interoperabilidade) e o fortalecimento da atenção primária e a prevenção.
O evento foi organizado pela FIESP e pelo SINDHOSP e contou com o Dr. Rui Balmer e o Dr. Francisco Balestrin como anfitriões, destacando a importância de apresentar os problemas do setor produtivo e a consolidação das propostas para um SUS mais eficiente.
A jornalista Natália Cuminali (Futuro da Saúde) moderou o painel que teve a participação da deputada Adriana Ventura, assessora de Romeu Zema, que defendeu que o maior desafio é integrar e gerir melhor as estruturas existentes, com foco no paciente. Sua agenda se baseia em cinco eixos: Saúde Digital, Prevenção, Coordenação de Serviços Públicos, Uso do Setor Privado para reduzir filas e Segurança Jurídica.
Adriano Massuda, assessor do Pres. Luiz Inácio Lula da Silva, propôs a reconstrução do SUS por mais financiamento, coordenação federal, saúde digital, fortalecimento da vigilância e foco em equidade, com atenção especial ao câncer e à saúde mental.
Felipe Rote Vargas, assessor de Renan Santos, criticou o “labirinto” de acesso ao SUS, propondo ordenar filas por gravidade, adotar pagamento por desfecho e tratar a saúde como base para a soberania produtiva e tecnológica do país.
Já Luís Henrique Mandetta, assessor de Ronaldo Caiado, defendeu o SUS como cláusula pétrea, e argumentou que sua sustentabilidade depende de premissas políticas, institucionais e orçamentárias claras, além de uma gestão técnica e com autoridade moral para enfrentar os desafios geopolíticos e o envelhecimento da população.
Por fim, Ana Paula Távora, assessora de Augusto Cury, focou no cuidado integral da pessoa, propondo um “SUS Digital 5P” (Preventivo, Personalizado, Participativo, Preditivo e Próximo ao Paciente) e o fortalecimento da atenção primária para lidar com os desafios da longevidade e da neurodivergência.
Outros participantes como Giovanni Cechi, Paulo Fracaro e Raul Puntait, trouxeram perspectivas sobre a necessidade de focar na promoção da saúde, nos desafios do câncer e da longevidade, e no combate ao desperdício de recursos.
Segmento laboratorial
A médica Paula Távora, que representou o Augusto Cury, que atua no segmento de diagnóstico trouxe uma visão muito centrada na longitudinalidade do cuidado e na necessidade de enxergar “a pessoa inteira ao longo da vida inteira”. Destacou como prioridades a longevidade, a saúde mental e a neurodivergência, além do fortalecimento da atenção primária, defendendo um SUS mais preventivo, personalizado, participativo, preditivo e próximo do paciente. Também reforçou que tecnologia, telemedicina, Inteligência Artificial e diagnóstico devem funcionar como meios para ampliar acesso, capilaridade e capacidade de resolução, e não como fins em si mesmos. Em sua fala, ficou especialmente forte a ideia de que o sistema precisa deixar de atuar de forma fragmentada e reativa para organizar jornadas contínuas de cuidado, apoiadas por dados, equipes multidisciplinares e maior integração entre os setores público e privado.
Também houve a participação do presidente da Associação Brasileira da Medicina Diagóstica (ABRAMED), Cesar Nomura que destacou a forte interdependência entre os setores público e privado na saúde e chamou atenção para o papel estratégico da medicina diagnóstica nessa integração. Em sua fala, reforçou que exames diagnósticos sustentam grande parte das decisões clínicas e são fundamentais não apenas para o diagnóstico precoce, mas também para o acompanhamento de doenças crônicas e do câncer. Diante das desigualdades regionais, das filas no SUS e da capacidade instalada já existente no setor privado, provocou a discussão sobre como ampliar parcerias público-privadas para aproveitar melhor essa estrutura, especialmente na medicina diagnóstica, reduzindo vazios assistenciais e ampliando o acesso da população a exames de qualidade.
Encerramento
Foram discutidos pontos chave como Gestão, Integração e Regionalização; Saúde Digital é o Caminho; Redução de Filas é Urgente; Novo Modelo de Financiamento; Fortalecimento da Atenção Primária e Prevenção; Reindustrialização e Inovação e Transparência e Responsabilidade.
Francisco Balestrin apresentou o manifesto “Os 5 Inegociáveis da Saúde” (Paciente único, Dados estruturados, Acesso qualificado, Cuidado padronizado e Desperdício contido) como um guia para que a sociedade possa cobrar os políticos de forma eficaz e informada.
Já Rui Balmer sugeriu que a saúde seja vista como uma “sociedade anônima”, onde os cidadãos são acionistas e o Ministério da Saúde é a diretoria, que deve ser substituída se não apresentar resultados com base em um planejamento estratégico.
O debate foi concluído com um forte apelo à transparência como eixo fundamental para garantir a implementação das políticas propostas e permitir a fiscalização pela sociedade.
Os participantes pediram maior engajamento cidadão na cobrança de metas e resultados, vendo a eleição como um momento crucial para o futuro do SUS e da democracia. Apesar das divergências, foi destacado um objetivo comum de melhorar o sistema, formando “o maior partido do Brasil”. (Com informações da CBDL – 14.09.2026)

