Biópsia líquida amplia monitoramento do câncer colorretal

Tecnologia analisa fragmentos do DNA tumoral no sangue e pode contribuir para identificar alterações moleculares, acompanhar a resposta ao tratamento e avaliar o risco de recorrência

No último dia 20 de julho, completou-se um ano da morte da cantora Preta Gil, aos 50 anos, em decorrência de um câncer colorretal. Ao compartilhar publicamente sua trajetória desde o diagnóstico, em 2023, a artista ampliou a discussão sobre a doença e a importância dos avanços em seu diagnóstico e monitoramento.

Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto no Brasil. Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, é o segundo tipo de câncer mais incidente tanto entre homens quanto entre mulheres no país.

Entre as tecnologias que vêm ganhando espaço na oncologia de precisão está a biópsia líquida, que analisa fragmentos de DNA tumoral circulante presentes no sangue. A abordagem pode ajudar a identificar alterações moleculares relevantes, acompanhar a resposta ao tratamento e detectar a chamada doença residual molecular — vestígios do tumor que podem permanecer no organismo após a cirurgia, mesmo quando ainda não são visíveis nos exames de imagem.

“A biópsia líquida permite acompanhar características moleculares do tumor a partir de uma coleta de sangue, oferecendo informações que podem complementar os métodos convencionais. No câncer colorretal, uma das aplicações mais promissoras está no monitoramento da doença ao longo do tempo e na identificação de sinais associados ao risco de recorrência”, explica Maria Amorim, doutora em Oncologia pelo A.C.Camargo Cancer Center e gerente de Desenvolvimento de Mercado para Sequenciamento de Nova Geração (NGS) na América Latina da Thermo Fisher Scientific, empresa associada à CBDL.

Um estudo publicado em 2025 na revista científica Nature Medicine, com 968 pacientes com câncer de cólon em estágio III, reforçou o potencial do DNA tumoral circulante como marcador prognóstico. A pesquisa mostrou uma diferença expressiva na sobrevida livre de recorrência em três anos entre pacientes com resultado negativo e positivo para esse marcador após a cirurgia: 87% e 49%, respectivamente.
Apesar dos resultados promissores, a biópsia líquida não substitui exames como colonoscopia, biópsia de tecido ou métodos de imagem. Seu uso deve ser avaliado em conjunto com outras informações clínicas e laboratoriais, de acordo com cada paciente.

“Estamos falando de uma tecnologia complementar, que amplia a capacidade de compreender o tumor e acompanhar sua evolução. O avanço das pesquisas será fundamental para definir com maior precisão como essas informações poderão apoiar as decisões clínicas em diferentes etapas da jornada do paciente”, complementa Maria. (Com informações da ThermoFisher – 03.08.2026)

 

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