Futebol e uma doença infectocontagiosa: por que devemos nos preocupar?
*Por Josely Chiarella
O sarampo é uma infecção viral altamente contagiosa que se espalha pelo contato com gotículas respiratórias liberadas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra. O vírus pode permanecer no ar ou em superfícies por determinado período, o que facilita sua transmissão de uma pessoa para outra.
A taxa de infectividade do sarampo é de aproximadamente 90%. Isso significa que cerca de 90% das pessoas não imunes que entram em contato com o vírus desenvolvem a doença.
Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus desde seis dias antes até quatro dias após o surgimento dos sintomas, especialmente das manchas vermelhas (exantema) características da doença.
O cenário epidemiológico do sarampo nos três países-sede da Copa do Mundo é bastante preocupante.
Estados Unidos: apresentam alta incidência e transmissão ativa da doença. No passado, o Brasil já registrou surtos associados a viajantes provenientes dos Estados Unidos, especialmente relacionados ao surto ocorrido na Disneyland, na Califórnia;
Canadá: registrou recentemente um surto expressivo da doença, o que levou o país a perder seu status de eliminação do sarampo;
México: vem registrando uma escalada significativa no número de casos de sarampo nos últimos anos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o país contabilizou 10.678 casos, demonstrando a intensa circulação do vírus na região.
E aqui no Brasil?
O sarampo permanece eliminado graças às coberturas vacinais alcançadas ao longo dos anos. No entanto, o Ministério da Saúde mantém vigilância constante sobre os casos importados devido ao risco iminente de reintrodução da doença, especialmente diante dos surtos ativos observados nos países-sede da Copa do Mundo.
Atualmente, os índices de vacinação estão entre 92% e 95% para a primeira dose e em torno de 78% para a segunda dose. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é atingir 95% de cobertura com o esquema vacinal completo da vacina tríplice viral, também conhecida como MMR, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Boa parte da população adulta não possui registro vacinal disponível ou não se recorda se recebeu a vacina contra o sarampo ou se teve a doença no passado. Nesses casos, é possível verificar a presença de anticorpos protetores por meio da dosagem sorológica de IgG para o vírus do sarampo. Os resultados costumam ficar prontos em poucos dias e, caso sejam negativos, a vacinação é recomendada, principalmente para pessoas que planejam viajar para o exterior.
Grandes eventos esportivos internacionais aumentam significativamente a circulação de pessoas entre países e continentes. Em um cenário de surtos ativos de sarampo, a intensa mobilidade de torcedores, trabalhadores, jornalistas e delegações esportivas pode favorecer a importação de casos e a reintrodução da doença em países que atualmente mantêm o sarampo eliminado.
A vacinação é a principal forma de prevenção e está disponível gratuitamente no SUS para bebês a partir de 12 meses, crianças e adultos até 59 anos. A recomendação é que a vacina seja administrada pelo menos 15 dias antes da viagem.
Antes de viajar, é recomendável verificar a situação vacinal de todos os membros da família. A atualização da carteira de vacinação é uma medida simples e eficaz para proteger o viajante, reduzir o risco de disseminação da doença e contribuir para a manutenção do controle do sarampo no Brasil.
*Josely Chiarella é farmacêutica e diretora técnica da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL)

