Quase um terço dos homens brasileiros (31%) não procura médico regularmente, segundo dados do Ministério da Saúde. Entre esse mesmo público, 46% buscam atendimento apenas quando sentem sintomas, de acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia com 1.500 homens acima de 40 anos. O percentual sobe para 58% entre usuários exclusivos do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os que evitam consultas, 55% alegam não precisar de acompanhamento.
A baixa procura de homens por serviços de saúde motivou o governo federal e diversas sociedades médicas a definirem diretrizes de exames preventivos que organizam rastreamento com aferição de pressão arterial, exames para verificar o nível de açúcar (glicemia) e de colesterol. A partir dos 40 anos, também é indicado realizar o teste PSA, que ajuda a detectar problemas na próstata a partir de uma amostra de sangue, e passar por consulta com urologista.
Detecção precoce do câncer de próstata eleva taxa de cura acima de 90%
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 71.730 novos casos de câncer de próstata para cada ano do triênio 2023-2025, o que representa cerca de 196 diagnósticos diários. O Brasil registrou 17.587 mortes pela doença em 2024, equivalente a 48 óbitos por dia.
Quando identificado precocemente, o câncer de próstata apresenta índices de cura entre 90% e 98%, segundo dados oficiais compilados pelo governo federal. A detecção em estágios iniciais permite tratamento com cirurgia ou radioterapia, enquanto o diagnóstico tardio limita as opções a terapias hormonais que apenas controlam temporariamente a progressão. Considerando essa diferença no prognóstico, agendar urologista em São Paulo é uma estratégia fundamental para paulistanos acima de 45 anos.
Urologistas apontam que existe um fator cultural que afasta os homens dos consultórios. A resistência masculina em buscar atendimento médico ainda é marcada por preconceitos e pela ausência de hábitos preventivos. A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens iniciem avaliação individualizada a partir dos 50 anos, mesmo sem sintomas. Pacientes com fatores de risco elevado devem antecipar o rastreamento para os 45 anos.
O grupo de risco inclui pessoas negras e quem tem histórico familiar de câncer de próstata. Quando pai, avô ou tio receberam diagnóstico em idade muito precoce, o rastreamento deve começar 10 anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado, o que pode significar iniciar aos 40 anos.
O rastreamento combina dois exames complementares: o PSA, que mede no sangue uma proteína liberada pela próstata, e o toque retal, que permite ao urologista identificar nódulos ou tumores. O PSA pode estar elevado por câncer, hiperplasia benigna ou inflamação, mas fatores como atividade sexual e exercícios físicos específicos alteram temporariamente o resultado.
É importante alinhar o PSA ao toque retal em casos de perfis de risco porque, mesmo se o primeiro estiver aparentemente normal, o toque consegue detectar tumores. A ressonância magnética auxilia na suspeita antes da biópsia, embora o acesso ao exame não seja uniforme no país. A confirmação diagnóstica ocorre por meio de biópsia da próstata.
Check-up anual detecta doenças silenciosas
Especialistas destacam que o check-up anual permite realizar exames que identificam doenças silenciosas. Quando é iniciado a tempo, um tratamento adequado pode evitar complicações graves. A primeira etapa desse tipo de avaliação, chamada de preventiva, é a própria consulta clínica, abordando o histórico médico familiar e o exame físico completo, incluindo medir a pressão arterial – especialmente porque, em alguns casos, a hipertensão pode evoluir sem demonstrar sintomas. No acompanhamento dessa condição, cardiologistas recomendam avaliações periódicas mesmo em pacientes assintomáticos.
Para completar, exames de sangue ajudam a detectar alterações “silenciosas” como diabetes e colesterol elevado. O exame de urina identifica infecções, doenças renais e alterações sistêmicas que afetam o corpo todo. Quando há a indicação, testes sorológicos verificam a presença de infecções sexualmente transmissíveis (IST). O eletrocardiograma acompanha irregularidades cardíacas, especialmente em pacientes com fatores de risco.
Sangue e creatinina rastreiam doenças; sedentarismo lidera fatores de risco
A análise do exame de sangue rastreia diabetes e pré-diabetes. Por ele, é possível entender o perfil lipídico do paciente e avaliar colesterol total e triglicerídeos, além de oferecer um panorama sobre risco cardiovascular. Para interpretação completa desses resultados, cardiologistas na cidade de São Paulo e nos demais municípios do país avaliam o perfil lipídico em conjunto com histórico familiar e hábitos de vida. Já a função renal é checada pela dosagem de creatinina.
A pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia identificou presença relevante de fatores de risco entre os entrevistados: 24% relataram pressão alta, 26% mencionaram sedentarismo, 12% reconheceram obesidade e 10% tabagismo, conforme dados do Portal da Urologia. A mesma pesquisa revelou que 17% afirmaram sentir ou já ter tido dificuldades para urinar.
Falta de informação: 10% não sabem o que é próstata
O levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia revelou que 78% dos homens reconhecem que as mulheres cuidam mais da própria saúde. Cerca de 18% dos entrevistados admitiram que suas companheiras são responsáveis por agendar as consultas médicas, segundo o Portal da Urologia. Apenas um terço dos homens se considera muito preocupado com a própria saúde.
O estudo mostrou ainda lacunas de conhecimento: cerca de 10% dos participantes não sabem o que é a próstata. Entre os entrevistados, 38% consideram normal ter dificuldade para urinar com o passar do tempo, enquanto 34% acham que problema na próstata é sempre câncer. A pesquisa “O olhar masculino sobre a saúde do homem” foi conduzida pelo Instituto Ideia e ouviu homens acima de 40 anos em todas as regiões brasileiras. (Com informações da Assessoria de Imprensa – 01.12.2025)

