Unidos pela Cura, estratégia adotada no Rio de Janeiro há 20 anos, organizou o fluxo ágil de três dias do momento da suspeição na Atenção Básica até a consulta no centro especializado.
Programa idealizado pelo Instituto Desiderata em parceria com gestores públicos, hospitais especializados, e organizações da sociedade civil virou a principal estratégia de promoção do diagnóstico precoce do câncer infantil no Rio de Janeiro e será tema do Fórum de Oncologia Pediátrica, que se realizará em Brasília, no mês de setembro.
Vinte anos atrás, foi feito um estudo que mostrou que crianças e adolescentes com suspeita de câncer enfrentavam uma dura realidade no sistema público de saúde do Rio de Janeiro. A média de 60 dias até o diagnóstico definitivo colocava em risco a vida dos jovens pacientes e diminuía drasticamente suas chances de cura. Hoje, esse cenário é outro. Graças ao Unidos pela Cura (UPC), o tempo da suspeita de um caso de câncer na Atenção Básica até o encaminhamento para consulta especializada caiu para três dias úteis em 91% dos casos. Nesses 20 anos, o UPC só cresceu no número de encaminhamentos, mesmo diante de mudanças na gestão da saúde.
“Esse tempo faz toda a diferença. Quando falamos de câncer infantojuvenil, cada dia conta. O diagnóstico precoce é o principal foco para salvar vidas”, afirma Carolina Motta, gerente de oncologia e saúde do Instituto Desiderata, uma das instituições à frente da mudança.
E fortalecer a Rede de Atenção ao Câncer Infantojuvenil nos estados brasileiros faz toda a diferença. Por isso, este é o tema central do 7º Fórum de Oncologia Pediátrica (FOP), organizado pelo Instituto Desiderata que contará com a participação de gestores de saúde de diversos estados brasileiros. O evento acontecerá nos dias 24 e 25 de setembro de 2025, em Brasília.
O Fórum busca impulsionar a construção de uma rede articulada entre estados e municípios, que assegure um cuidado mais ágil, equânime e humanizado para crianças e adolescentes com câncer. A proposta é propor ações coletivas de enfrentamento das desigualdades sociais, étnico-raciais e regionais que ainda impactam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento no Brasil.
– Priorizar o câncer infantojuvenil em política pública é discutir o direito à vida, ao cuidado digno e à justiça social. O FOP é um espaço de articulação para proposição de políticas e iniciativas que transformem realidades e busquem ampliar as chances de cura de milhares de crianças e adolescentes”, afirma Motta.
UNIDOS PELA CURA
Em 2003, foi fundado o Instituto Desiderata, voltado para o fortalecimento de políticas públicas de saúde para crianças e adolescentes. Com a proposta de contribuir para a mudança da realidade do câncer infantojuvenil no Rio de Janeiro, iniciou uma transformação em 2005, com a criação do Unidos Pela Cura. A estratégia envolve gestores públicos, hospitais especializados, instituições acadêmicas e organizações da sociedade civil. Juntas, essas forças resultaram na estruturação do fluxo inédito de encaminhamento, capacitou profissionais e implementou um sistema de monitoramento contínuo. “O período que antecede o diagnóstico do câncer é muitas vezes longo e desafiador para as famílias. Com o UPC, investimos em organizar um caminho ágil e seguro, garantindo que as crianças e adolescentes sejam encaminhados para centros de referência, onde receberão cuidado especializado e tratamento de excelência em tempo oportuno.”, explica Motta.
Ao longo das duas décadas, mais de seis mil profissionais da rede pública do RJ e de PE, já foram treinados para identificar os sinais, muitas vezes inespecíficos, da doença. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 8 mil novos casos de câncer em crianças e adolescentes por ano. A doença é a principal causa de morte por enfermidade entre pessoas de 1 a 19 anos.
DESAFIOS PERMANECEM
Apesar dos avanços, os desafios permanecem. O Panorama da Oncologia Pediátrica, divulgado pelo Instituto Desiderata em fevereiro deste ano, revelou a dura realidade de que crianças e adolescentes indígenas morrem mais de câncer do que brancos e negros. “É um dado preocupante. Precisamos reconhecer essas disparidades para propor ações e políticas públicas que, de fato, atendam a todos de forma equitativa”, ressalta Motta.
O modelo do UPC tem inspirado outros territórios a priorizarem a agenda do câncer infantojuvenil. Desde 2023, foi implementado o Unidos Pela Cura Pernambuco, inspirada no Rio de Janeiro, com o apoio do Ministério da Saúde, da Opas e do hospital americano St. Jude Children’s Research Hospital. Em apenas dois anos, o estado nordestino já apresenta melhorias. O UPC – PE já estabeleceu um fluxo ágil de encaminhamento dos casos em 48 horas para os centros especializados.
HUMANIZAÇÃO DOS ESPAÇOS
Além do diagnóstico, o cuidado também envolve acolhimento. Desde 2007, o Instituto Desiderata investe na humanização dos espaços hospitalares, tornando-os mais lúdicos e apropriados ao público infantojuvenil. Precisamos olhar para o câncer infantojuvenil com mais atenção, respeito e de forma mais humanizada diante de uma doença que causa tanto sofrimento”, conclui Carolina Motta. Para ela, a principal lição dos últimos 20 anos é clara: “O tempo salva vidas. Garantir acesso rápido, justo e humanizado ao diagnóstico é dever do Estado”, conclui.
Sobre o 7 º Fórum de Oncologia Pediátrica (FOP)
📅 24 e 25 de setembro de 2025
📍 Local: Sede da OPAS – Setor de Embaixadas Norte – Lote 19, CEP 70800-400 Brasília – Distrito Federal
🎯 Evento presencial com transmissão ao vivo
💻 Inscrições gratuitas: http://forumdeoncologiapediatrica.org.br/
(Com informações da SENSU Comunicação – 04.09.2025)

