Busca por exames de dosagem de vitaminas no sangue dispara após a pandemia: saúde, tendência ou exagero?

Exames para medir níveis de dosagem de vitaminas no sangue como: A, B12, C e D, nunca tiveram tão em alta. No período pós-pandêmico, o interesse por esses testes cresceu exponencialmente, segundo um levantamento recente do laboratório Sérgio Franco, da Dasa.

Os dados mostram um aumento expressivo na solicitação desses exames entre 2022 e 2024, superando o crescimento geral de outros tipos de análise de sangue realizados pela empresa. Nos últimos dois anos, o total de exames laboratoriais aumentou mais de 13%, contudo, os testes de dosagem de vitaminas apresentaram um crescimento surpreendente: 42,78% para a vitamina A; 76,87% para a B12; 35,03% para a C e quase 13% para a vitamina D – essa foi a única alinhada ao crescimento geral de todos os outros testes processados no Sérgio Franco, que atente a todo o estado do Rio de Janeiro.

Segundo a endocrinologista do laboratório, dra. Rosita Fontes, os dados apontam que a busca por essas análises está frequentemente associada a sintomas como cansaço e falta de memória, além da crença de que a suplementação vitamínica fortalece a imunidade, o que ganhou força durante a pandemia.

“Os sintomas de fraqueza, fadiga e falhas de memória não podem ser considerados de maneira isolada, pois estão relacionados com várias doenças. É preciso buscar uma avaliação médica e complementar com o exame físico para fechar um diagnóstico. As vitaminas têm, sim, um papel importante na imunidade, mas isso é parte de um sistema muito complexo, e a suplementação delas nem sempre é indicada para todas as pessoas”, comenta a endocrinologista.

Deficiência vitamínica pode ser perigosa, mas exames devem ter indicação médica

A deficiência de vitaminas pode levar a diversos problemas de saúde, no entanto, a dra. Rosita Fontes alerta que realizar exames para esse fim tem determinadas indicações. “A dosagem de vitaminas deve ser individualizada, com base na avaliação médica e em sintomas específicos.”

Quem deve fazer o exame?

A dosagem de vitaminas é recomendada para pessoas com queixas como dificuldade de enxergar à noite e ressecamento ocular (indicativo de falta de vitamina A); anemia megaloblástica ou problemas neurológicos, como formigamentos, déficit de memória e concentração, dificuldade de equilíbrio e confusão mental (que pode ser por falta de vitamina B12); sangramento nas gengivas (por deficiência de vitamina C) e osteoporose (por causa da baixa de vitamina D). Além disso, pessoas com doenças intestinais, desnutrição, alcoolismo, problemas renais ou que utilizam medicamentos que podem afetar a absorção de vitaminas também podem precisar realizar os exames.

Alerta para o uso consciente de suplementos

O levantamento do laboratório Sérgio Franco destaca ainda a importância do uso consciente de suplementos vitamínicos, já que o excesso desses elementos pode levar a casos de intoxicação por vitaminas A e D, além de cálculos renais, como aponta Rosita Fontes. Dados desse mercado apontam uma tendência de crescimento no consumo deste tipo de produto, com incremento de 12% no primeiro semestre de 2024 segundo informações da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD).

“Para a grande parte da população, os nutrientes necessários são conseguidos por meio da alimentação. Ou seja, vale muito mais apostar em uma boa alimentação, do que recorrer à gôndola de suplementos da farmácia. Os exames de dosagem de vitaminas são um excelente recurso para avaliar a saúde, mas devem ser sempre bem indicados, acompanhados por outras pesquisas e avaliados por um médico antes da decisão de realizar qualquer suplementação”, garante a doutora. (Com informações da Bowler – 12.05.25)

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