Os testes rápidos são motivos de muitas discussões, visto que são responsáveis por muitos falso-negativos no diagnóstico da COVID-19. Porém, muito já está sendo feito para que esse tipo de erro, vamos dizer assim, seja cada vez menos recorrente. Foi sobre isso que a Dra. Paula Fernandes Távora, patologista clínica e sócia-fundadora do Laboratório i9med, falou na palestra “Testes Laboratoriais Remotos para COVID-19: O que devemos saber?”, durante o 1º Congresso Virtual da SBPC/ML.

A médica explicou que os testes rápidos fazem parte da tecnologia Point of Care Testing, aqueles que estão disponíveis para o profissional de saúde na beira do leito ou próximo do paciente. “Esse tipo de teste não pode ser feito por qualquer pessoa. Os profissionais da saúde devem ser treinados e realizar o procedimento de modo a garantir a segurança do paciente. Essa também é uma forma de ampliar o acesso, pois esse tipo de testagem passa por todas a áreas em que o laboratório atua, como no momento de urgência, monitoramento da doença e a necessidade do diagnostico rápido”, explica.

Os benefícios do teste rápido são o encurtamento de tempo no diagnóstico em relação aos demais testes laboratoriais convencionais. “Os pilares para eles devem ser os mesmos do diagnóstico laboratorial, mas devemos nos atentar ao da segurança. O paciente deve ter mais informação para o diagnóstico”.

Quando se fala da questão dos falso-negativos, a Dra. Paula diz que hoje a cultura laboratorial avança a passos largos na busca para a minimização dos erros por contar com comitês e políticas de qualidade, que passam por controles internos e externos. No caso dos testes rápidos, todavia, há necessidade das mesmas avaliações que os convencionais.

Todas as sociedades ligadas ao diagnóstico têm o entendimento de que a importância da escolha do laboratório está vinculada à qualidade. “Para garantir essa qualidade devemos ter conformidades, como a resolução que nos ampara desde 2005, que é a RDC 302, que no momento passa por uma revisão que nos permite contribuir e ampliar a importância do Point of Care dentro dessa normativa. Também temos os modelos de acreditação, como a Norma PALC da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), que nos dão a importância da informação na gestão de qualidade dos laboratórios”.


Com relação ao controle interno, a médica define, em sua palestra, como um conjunto de procedimentos, normas es objetivos estabelecidos pela Gestão do Laboratório, com o objetivo de cumprir a política de qualidade estabelecida pela organização e proporcionar confiança no que diz respeito à eficácia e eficiência dos recursos. “A boa notícia que temos para dar é que, em 2020, não só as custas da pandemia, mas ela nos deu força para desenvolver a disponibilidade de amostras de controle interno para testes rápidos, hoje comerciais, porque até o ano passado tivemos que fazer controles internos alternativos”.

O controle externo, por definição da norma RDC nº 302/2005, é a atividade de avaliação do desempenho dos sistemas analíticos através dos ensaios de proficiência, análises de padrões certificados e comparações interlaboratoriais. (Com informações da Advice Comunicação Corporativa – assessoria de imprensa da SBPC/ML – 01.10.20)