Detectar o câncer cedo pode ser decisivo para aumentar as chances de cura e reduzir custos de tratamento. Com esse objetivo, os pesquisadores Daniela Fernandes e Cristiano Jayme, da startup Diasci, desenvolveram um biossensor portátil capaz de identificar biomarcadores tumorais em uma simples gota de sangue.
A tecnologia, apoiada pelo programa PIPE-FAPESP e pelo Sebrae Startups, combina biópsia líquida e nanotecnologia. O dispositivo funciona de forma semelhante a um glicosímetro: o sangue entra em contato com eletrodos impressos que reconhecem moléculas ligadas a tumores de pâncreas, cérebro e pulmão. A reação química gera um sinal elétrico que indica a presença de alterações.
Ainda em fase pré-clínica, o sistema não substitui a biópsia tradicional, mas pode servir como triagem preventiva. O custo estimado do exame é de US$ 40 a US$ 50, bem abaixo dos valores de exames de imagem como PET-CT, que chegam a R$ 3,5 mil na rede privada. A proposta é democratizar o acesso, especialmente em regiões afastadas, e descentralizar o diagnóstico oncológico.
Além da detecção inicial, o dispositivo poderá monitorar pacientes em tratamento, verificando a eficácia de medicamentos. A Diasci, incubada no Supera Parque em Ribeirão Preto, participa de programas de inovação e coopera com o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) para validar a tecnologia. A expectativa é concluir testes até 2027 e, após aprovação da Anvisa, levar o produto ao mercado em até dois anos.
Com cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, segundo o Inca, soluções de baixo custo e fácil aplicação podem transformar a prevenção e o acompanhamento da doença no sistema público de saúde. (Com informações da FAPESP – 09.10.2026)

