Em Annecy, na França, foi realizada a 15ª edição do Curso Avançado em Diagnósticos (ACDx), de 21 a 25 de setembro.
Organizado pela Fundação Mérieux e pela London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM), o ACDx defende a importância dos diagnósticos na saúde global e fortalece a capacidade de tomada de decisões críticas nessa área em países de baixa e média renda de forma muito alinhada com a Resolução 76.5 da Assembleia Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o “Fortalecimento da Capacidade Diagnóstica”.
Este curso intensivo, com duração de uma semana, foi concebido para ampliar o conhecimento e as redes de contato profissionais dos participantes, estabelecendo relações de grande valor para a saúde global, principalmente quando se debatem temas como preparação para lidar com pandemias/epidemias ou mesmo o controle da Resistência Antimicrobiana (RAM) dentro de um contexto de Saúde Única (“One Health”). Ao mesmo tempo, tem um olhar para o futuro, ao debater temas como inovações sociais e tecnológicas.
FORMATOS DE APRENDIZAGEM
Palestras, painéis com especialistas, competição de pitch, oficinas participativas e fóruns de tecnologia com demonstrações, o ACDx é dinâmico e atual, tanto que não apenas os alunos saem com um grande aprendizado, mas os próprios palestrantes acabam valorizando de uma forma muito clara a grande e permanente troca de experiências e pontos de vista.
O curso deste ano contou com um Comitê Organizador composto por 13 pessoas de entidades como as próprias Fondation Mérieux e LSHTM, mas também UNITAID, Global Fund, Africa CDC, Clinton Health Access Initiative (CHAI), US CDC, WHO, Foundation for Innovative New Diagnostics (FIND), Gates Foundation e University of North Carolina (UNC).
Ao lado de 34 palestrantes e professores de organizações e de outras como Johns Hopkins, The Union Against TB, NIH e FAO, Carlos Gouvêa, presidente executivo da CBDL, tem sido responsável ao longo dos anos pela estruturação da programação da Sessão 2 do curso que trata sobre “O Papel do Diagnóstico no Preparação para Epidemias “.
Neste dia, ele e Yenew Kebede Tebeje, diretor do África CDC, organizam um dia inteiro de discussões sobre como lidar com pandemias ou doenças de potencial epidêmico, trazendo temas reais como a resposta ao Bundibugyo Ebola em 2026, acesso à genômica de patógenos e novas tecnologias, além de falar sobre como é o acesso a novas tecnologias na América Latina. O tema de desenvolvimento de novos testes, entrando no detalhe de como deve ser um TPP (Target Product Profile), debate sobre acesso a novos espécimes e a bancos de amostras (biobancos) e finalmente diagnósticos dentro do contexto de saúde digital. Para tanto, contaram com representantes do NIH, Ministérios de Saúde, Indústria e Academia.
Ainda nesta sessão, houve um exercício prático com todos os participantes para tratar de Resposta Integrada de Multistakeholders, em que Gouvêa convidou os brasileiros ali presentes para ajudá-lo a fazer os diferentes grupos de trabalho considerarem as respostas por diferentes pontos de vista: papel dos Reguladores; papel do formulador de política pública; papel da Academia e Sociedades Médicas e papel da Indústria.
Nesta dinâmica, houve apresentação formal e supervisão por Fabiane Gomes (ANVISA), Alisson Bigolin (DHATI/MS), Andre Doi (SBPCML) e pelo próprio líder da CBDL. Como tema, cada grupo tinha um desafio a vencer para o desenvolvimento de política pública para lidar com uma das quatro situações: HIV, Sífilis, HPV e RAM. Com casos concretos a resolver, cada grupo desenvolveu um caminho, apresentando ao final, no Plenário, um plano concreto – depois comparado com as políticas atualmente desenvolvidas pelo Brasil – apenas para exemplificar.
TEMAS
O ACDx deste ano contou com participantes de mais de 30 países de todos os continentes que estiveram expostos a uma programação intensiva e dinâmica que abordou os seguintes temas: Fortalecimento do Sistema Laboratorial para Melhoria do Acesso; O Papel do Diagnóstico no Preparação para Epidemias; O Papel do Diagnóstico para o Combate da Resistência Antimicrobiana; “Pensando fora da Caixa”; Comunicação Estratégica para Convencimento de Governantes e Financiadores; Sustentabilidade de Sistemas Laboratoriais e de Diagnóstico – Parcerias e Redes. (Com informações da CBDL – 07.10.2026)

