Pesquisa internacional identificou 14 proteínas presentes no sangue associadas a maior risco de desenvolvimento da doença
O câncer de pulmão está entre os tipos de câncer que mais preocupam a saúde pública e, muitas vezes, pode evoluir de forma silenciosa. Embora já existam estratégias de rastreamento voltadas principalmente para pessoas com maior risco, novas pesquisas buscam ampliar as possibilidades de identificar sinais da doença cada vez mais cedo.
Um estudo internacional publicado recentemente na revista científica Cell identificou uma combinação de 14 proteínas presentes no sangue que pode estar associada a um risco aumentado de desenvolvimento do câncer de pulmão mais de cinco anos antes do diagnóstico. A pesquisa analisou amostras de sangue de mais de 48 mil participantes e utilizou inteligência artificial e técnicas de análise de proteínas para identificar padrões relacionados ao desenvolvimento futuro da doença.
Para o infectologista Dr. Evaldo Stanislau, coordenador do curso de Medicina da Universidade São Judas, cujo curso de Medicina integra a Inspirali, ecossistema responsável pela gestão de 15 escolas médicas em diferentes regiões do Brasil, a descoberta representa um avanço importante na busca por formas mais precoces de identificar pessoas sob maior risco. “É importante destacar que estamos falando de uma pesquisa que aponta um caminho promissor, e não de um exame disponível para diagnosticar câncer de pulmão na prática clínica. O estudo mostra a possibilidade de identificar, por meio do sangue, sinais biológicos relacionados a um risco aumentado da doença antes que ela seja diagnosticada pelos métodos convencionais”, explica.
Segundo o especialista, a possibilidade de antecipar a identificação de pessoas com maior probabilidade de desenvolver a doença pode contribuir, no futuro, para estratégias mais individualizadas de acompanhamento e prevenção. A assinatura de proteínas identificada pelos pesquisadores também foi validada em diferentes bases de dados, incluindo pessoas que nunca fumaram, o que amplia o interesse científico pela descoberta.
Apesar dos avanços na detecção e no tratamento, o câncer de pulmão ainda apresenta alta incidência. O principal fator de risco é o tabagismo, mas pessoas que nunca fumaram também podem desenvolver a doença. De acordo com dados apresentados pelo Dr. Stanislau, o risco de ter câncer de pulmão aos 75 anos é de quase 20% entre fumantes, 5% entre ex-fumantes e cerca de 1% entre pessoas que nunca fumaram. Mesmo nesse último grupo, os casos representam aproximadamente 15% a 20% de todos os diagnósticos da doença no mundo.
“O câncer de pulmão não é uma doença exclusiva de quem fuma. O tabagismo é, sem dúvida, o principal fator de risco, mas existem outros elementos envolvidos, como exposição à poluição, substâncias presentes em determinados ambientes de trabalho, histórico familiar e algumas doenças pulmonares. Por isso, precisamos olhar para a prevenção e para o acompanhamento de forma mais ampla”, afirma Stanislau.
Agosto Branco reforça a importância da prevenção
O avanço das pesquisas sobre formas de identificar o câncer de pulmão precocemente ganha ainda mais relevância durante o Agosto Branco, campanha dedicada à conscientização, prevenção e combate à doença. A iniciativa busca ampliar o conhecimento da população sobre os fatores de risco, sintomas, formas de prevenção, diagnóstico e tratamento.
A campanha também chama atenção para a importância de não esperar o surgimento de sintomas para cuidar da saúde. O câncer de pulmão pode permanecer silencioso durante boa parte de sua evolução, e alterações como tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão, cansaço, perda de peso sem causa aparente ou presença de sangue no escarro devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Atualmente, exames de rastreamento não são indicados para toda a população. Pessoas com histórico significativo de tabagismo e outros fatores de risco podem ter indicação de acompanhamento específico, incluindo exames de imagem, conforme avaliação médica individualizada. A pesquisa sobre as proteínas presentes no sangue ainda precisa passar por novas etapas de validação antes de se transformar em uma ferramenta utilizada rotineiramente nos consultórios.
Para o especialista, enquanto a ciência avança na busca por novas ferramentas de detecção precoce, as medidas de prevenção continuam sendo fundamentais. “A melhor estratégia ainda é reduzir os fatores de risco. Parar de fumar, evitar a exposição à fumaça do cigarro, utilizar equipamentos de proteção em ambientes de trabalho com substâncias potencialmente prejudiciais e manter acompanhamento médico são atitudes que podem fazer diferença. O Agosto Branco é uma oportunidade importante para lembrar que prevenção e informação também salvam vidas”, destaca.
Como evitar o câncer de pulmão?
Não fumar: o tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de pulmão. Parar de fumar reduz progressivamente os riscos associados ao consumo de tabaco.
Evitar o contato com a fumaça do cigarro: a exposição ao tabagismo passivo também aumenta o risco de desenvolvimento da doença.
Cuidar da exposição no ambiente de trabalho: pessoas que trabalham em contato com substâncias como amianto, sílica, arsênio, benzeno, cádmio, cromo e níquel devem seguir rigorosamente as medidas de proteção indicadas.
Reduzir a exposição à poluição: a exposição prolongada à poluição do ar também está relacionada a problemas respiratórios e pode contribuir para o desenvolvimento de doenças pulmonares.
Manter acompanhamento médico: pessoas com histórico de tabagismo, doenças pulmonares ou outros fatores de risco devem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de acompanhamento e realização de exames.
Ficar atento aos sinais: sintomas respiratórios persistentes, como tosse, falta de ar, rouquidão ou presença de sangue no escarro, devem ser investigados. (Com informações da Assessoria de Imprensa – 27.08.2026)

