Automação reduz etapas manuais e contribui para diagnósticos mais rápidos de doenças que podem comprometer o desenvolvimento infantil
A identificação precoce de doenças raras, metabólicas e genéticas depende de um exame realizado ainda nos primeiros dias de vida do bebê. Conhecido como teste do pezinho, o procedimento é considerado uma das principais estratégias de prevenção da saúde infantil e pode evitar sequelas permanentes no desenvolvimento infantil.
Segundo o Ministério da Saúde, a cobertura nacional do Programa Nacional de Triagem Neonatal ultrapassou 82% dos recém-nascidos brasileiros em 2025. O exame permite identificar precocemente doenças genéticas, metabólicas e infecciosas que, muitas vezes, ainda não apresentam sinais no nascimento, mas podem causar alterações graves como deficiência intelectual, complicações de saúde e até risco de morte quando não são diagnosticadas e tratadas a tempo.
Apesar da importância do exame, uma etapa importante do processamento das amostras ainda é realizada manualmente em muitos laboratórios: a perfuração do papel-filtro onde o sangue do recém-nascido é coletado. O procedimento exige a retirada dos fragmentos que serão analisados, demanda tempo das equipes e pode aumentar o risco de falhas operacionais.
“O teste do pezinho tem um papel fundamental na vida de milhares de crianças. Quando conseguimos automatizar uma etapa, ganhamos tempo, reduzimos riscos e damos mais segurança para que os laboratórios entreguem resultados de forma ágil e confiável”, afirma Thais Machado Mariano Corrêa, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Loccus – empresa especializada em soluções para biologia molecular, diagnóstico e automação laboratorial, filiada à CBDL.
Tecnologia traz mais agilidade ao teste do pezinho
Para garantir resultados confiáveis e dentro dos prazos exigidos pelos programas de rastreamento, os laboratórios precisam processar grandes volumes de amostras diariamente com alto nível de precisão. Para enfrentar esse desafio, soluções de automação laboratorial começam a ganhar espaço no setor. Uma delas é o Galaxy A9, equipamento desenvolvido pela BSD e distribuído no Brasil pela Loccus, que automatiza a perfuração das amostras e o direcionamento dos fragmentos para as placas de análise, reduzindo a manipulação manual e aumentando a rastreabilidade do processo. A solução foi apresentada durante a IV Jornada de Triagem Neonatal do Distrito Federal, realizada em maio, em Brasília.
O modelo foi desenvolvido para automatizar essa etapa: ele perfura o papel-filtro e direciona automaticamente os discos para as placas de poço profundo de 96 poços, reduzindo a manipulação manual. Com isso, o processo se torna mais rápido, sendo possível processar simultaneamente até nove placas em um intervalo de 38 a 64 minutos, agilizando a execução da tarefa em laboratórios que trabalham com alto volume de amostras.
Mais segurança e rastreabilidade das amostras
Outro diferencial da tecnologia está na redução dos riscos de contaminação cruzada e de erros relacionados ao deslocamento involuntário dos fragmentos após a perfuração. O sistema conta com tecnologia de neutralização de eletricidade estática, que reduz o risco de deslocamento dos fragmentos de papel-filtro após a perfuração.
“Os laboratórios de triagem neonatal precisam conciliar velocidade, rastreabilidade e precisão. A automação dessa etapa permite ganhos de produtividade e segurança das amostras, algo cada vez mais importante diante do aumento da demanda por exames e da necessidade de liberar resultados com rapidez”, destaca Thaís.
A tecnologia apresentada pela Loccus integra o portfólio da BSD, empresa com atuação internacional em aplicações que utilizam amostras coletadas em papel-filtro, incluindo áreas como identificação humana e medicina forense. (Com informações da Loccus – 07.07.2026)
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