Testes para doenças transmitidas por vetores são apresentados em Congresso de Medicina Tropical

A Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) promoveu, no início de novembro, o MedTrop2025, a 60ª edição do congresso anual da entidade, realizado em João Pessoa, na Paraíba. Cerca de 3 mil participantes, entre médicos, biólogos, biomédicos, farmacêuticos, veterinários, historiadores e profissionais da vigilância em saúde e da atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), debateram as novidades e os tratamentos para doenças como malária, zika, chikungunya, dengue, doença do carrapato, entre outras.

Em 2024, o Brasil enfrentou uma das piores epidemias de dengue já registradas, com cerca de 6,5 milhões de casos prováveis e aproximadamente 6 mil mortes confirmadas ao longo do ano. Já em 2025, a doença apresentou redução em relação ao ano anterior, com mais de 1 milhão de casos e cerca de 800 mortes confirmadas. Os especialistas reunidos em João Pessoa analisaram estatísticas que mostram que os riscos de novas epidemias permanecem altos, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país.

A chikungunya registrou, até setembro do ano passado, 121.803 casos e 113 mortes, enquanto a zika teve, somente no Estado de São Paulo, 1.818 casos notificados ao longo do ano. O gerente técnico-científico da Seegene, Pedro Aguiar, destacou que, no caso da chikungunya, a maior incidência ocorreu entre mulheres (60% dos casos), com predominância nas faixas etárias de 20 a 29 anos. “O mesmo ocorreu com a zika, com número significativo de gestantes, embora com baixa proporção de casos confirmados laboratorialmente”, completou.

Para Pedro Aguiar, os testes da Seegene, empresa associada à CBDL, podem auxiliar no enfrentamento dessas doenças e salvar vidas ao fornecer resultados rápidos e precisos, permitindo o início imediato do tratamento mais adequado. O portfólio de testes moleculares para doenças transmitidas por vetores, com alta sensibilidade e detecção multiplex, apresentado no MedTrop2025, inclui o teste Tick-borne, que identifica simultaneamente diversos patógenos transmitidos por carrapatos, como Borrelia, Anaplasma, Rickettsia e Babesia, auxiliando no diagnóstico de doenças como a de Lyme e a anaplasmose. Já o painel Tropical Fever é voltado para febres de origem indeterminada em regiões endêmicas e detecta, em uma única reação, vírus e bactérias como dengue, zika, chikungunya, febre amarela, leptospira e outros agentes tropicais, agilizando a tomada de decisão em casos clínicos urgentes. Por fim, o teste de malária identifica e diferencia as principais espécies de Plasmodium que infectam humanos, P. falciparum, P. vivax, P. malariae e P. ovale, garantindo precisão no diagnóstico e no tratamento conforme a espécie envolvida.

Em 2023, foram registrados 140.265 casos autóctones de malária no Brasil. Em 2024, houve 45 mil casos no primeiro quadrimestre do ano e, em comparação com o mesmo período de 2025, observou-se uma queda de 25%, com 34 mil notificações. Cerca de 99% dos casos concentram-se na região da Amazônia. Já a doença de Lyme, conhecida como “doença do carrapato”, não possui dados estatísticos confiáveis no Brasil. “Por isso, eventos como o promovido pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical são essenciais para difundir os testes de detecção dessas doenças e auxiliar governos na formulação de políticas públicas mais eficazes”, concluiu Pedro Aguiar. (Com informações da DOC Press – 14.11.2025) 

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