Por Carlos Aita, Diretor da SBPC/ML

Recentemente o Google divulgou um levantamento sobre como os brasileiros pesquisam e consomem conteúdo de saúde. Dentre vários dados apresentados, foi apontado que 26% dos brasileiros recorrem à plataforma de busca ao constatar problemas de saúde.

Isso só é possível através do advento da internet e pode servir tanto para bem, quanto para mal. Em milésimos de segundos, é possível encontrar na internet milhares de resultados e causas para quaisquer sintomas.

Há uma infinidade de sites, canais e relatos de pessoas sobre suas experiências pessoais em relação a determinadas patologias que podem gerar um misto de reações como identificação, preocupação, ansiedade ou alívio.

Os resultados apresentados pelo “Dr. Google” são, em sua maioria, muito generalistas e da mesma forma que podem dar um direcionamento sobre qual especialista buscar e como tratar um problema de saúde, podem colocar em risco a segurança do paciente incentivando, por exemplo, a automedicação. Também não é incomum que os pacientes busquem atendimento de maneira desesperada para descartar ou comprovar o
“diagnóstico” apresentado na tela do computador ou celular.

Essa atitude em nada contribui para a eficiência do diagnóstico. Pelo contrário, pode muitas vezes induzir ao erro do sistema de assistência à saúde.

É importante lembrar que apesar de as doenças apresentarem um padrão de comportamento, devem ser consideradas e respeitadas as peculiaridades de cada organismo e condição de saúde de cada indivíduo.

Na era digital, o paciente ideal é aquele que realiza a busca na internet, mas que consegue identificar e fazer uma curadoria dos conteúdos que acessa, considerando, principalmente, a credibilidade das fontes acessadas. Ele busca atendimento numa unidade de saúde em casos emergenciais ou em consultas com especialistas.Munido de informações de qualidade consegue contribuir para o diagnóstico e sabe discernir o bom e o mau atendimento médico. Sobretudo, permite que o profissional de saúde tenha a liberdade de conduzir a investigação médica sem impor condições e padrões generalistas identificados na internet e sem exigir a realização de exames não solicitados pelos especialistas.

Já o profissional de saúde ideal é aquele que utiliza o advento da internet para ampliar a sua gama de conhecimento, com a possibilidade de acessar conteúdos anteriormente inacessíveis, de forma a construir uma linha de investigação colaborativa, se utilizando dos melhores recursos. E também a possibilidade de produzir e compartilhar conteúdos de qualidade que sejam apontados como resultados nas buscas de incontáveis dúvidas digitadas na barra de busca do Google diariamente.

Nesse sentido, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial tem feito sua lição de casa, pois considera que os consumidores de serviços de saúde querem entender mais sobre o que lhes é oferecido e participar ativamente deste processo.

A SBPC/ML disponibiliza na internet o portal Lab Tests Online, através de uma parceria de tradução e revisão do original em inglês produzido pela American Association for Clinical Chemistry (AACC) e da geração de novos conteúdos de interesse local. Um site que apresenta informações sobre uma grande quantidade de exames de análises clínicas de sangue, urina e outros materiais biológicos. Nele, o paciente encontra informações sobre como são feitos, para que servem e quais as recomendações dos exames. Para o médico, o portal é uma referência que pode ser encontrada de forma rápida e uma fonte de atualizações constantes sobre a medicina
laboratorial.

A possibilidade da pesquisa é uma realidade imutável. Cabe aos pacientes e aos profissionais do sistema de saúde agirem de forma a utilizar essa ferramenta de maneira sensata, contribuindo para o êxito de todo o sistema de assistência à saúde.